produtividade

A pandemia trouxe com ela novas formas de trabalhar, e desde então estamos sendo submetidos a elas com a esperança de entregar a tão esperada produtividade. Seja uma exigência pessoal ou da empresa, essa habilidade de entregar mais trabalhos em um único dia está atormentando os profissionais.

Pense comigo: fomos todos obrigados a nos adaptar a essas novas formas de trabalho, e com elas, nos tornamos cada vez mais exigentes com a disciplina para encaixar a rotina maluca que foi desenvolvida. Ao mesmo tempo que estamos trabalhando, também estamos em casa, e com isso, muitos têm filhos, responsabilidades do lar, cozinha e animais de estimação.

Coloque nessa soma as responsabilidades da empresa em que você trabalha, como reuniões, tarefas e a equipe. E ainda adicione hobbies que começamos no momento de incerteza da pandemia, como exercícios, e outras atividades essenciais para nossa mente funcionar, sono, banho e lazer.

Como conseguimos nos manter produtivos com essa rotina?

A resposta é que é humanamente impossível fazer tudo isso funcionar todos os dias. Algo sempre sairá de controle, e contando que não se torne uma catástrofe, está tudo bem. O que não está nada bem é que nós somos levados a acreditar, por meio de pesquisas e pelos workaholics, que não somos produtivos o suficiente por conta dos baixos índices  de resultados que são apresentados.

 

A relação da produtividade e da exaustão

 

Mas ninguém pensou em analisar a situação do mundo antes de implementar essa cultura de produtividade? 

De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Stanford, na Califórnia, feita com 16 mil trabalhadores americanos por nove meses, trabalhar no modo home office aumenta a produtividade dos funcionários em 13%. Esse resultado é a combinação de um ambiente de trabalho mais silencioso, mais conveniente, do acúmulo de mais minutos de trabalho por turno, a diminuição do tempo de pausas e dos dias de licença médica.

A questão é: isso é realmente mais saudável ou somente mais preocupante?

Estamos falando de mais minutos trabalhando, menos tempo fazendo pausas e menos idas aos médicos, o que é entendível quando estamos falando do contexto da pandemia e isolamento social. Essa produtividade é resultado de muitas tarefas sendo feitas uma atrás da outra com as pausas e descansos sendo completamente negligenciados.

A cereja do bolo é que existem vantagens nessa situação caótica e exaustiva que muitos funcionários estão vivendo. Mesmo assim, as consequências são altíssimas, pois no lugar de engajamento pelo serviço, está o desespero para bater as metas e entregar mais tarefas por dia.

Quando o trabalho se torna o foco do seu estresse e leva toda a sua energia, algo está errado e o funcionário é obrigado a procurar alternativas para sanar a sua saúde mental. Essa é uma das explicações para o fato das pessoas estarem se desligando da empresa enquanto 14,7% da população está desempregada. A cultura atual está aprendendo a valorizar a si próprio e não entregar tudo que tem para a empresa.

Enquanto a segunda consequência é como o trabalho tem impacto no funcionário quando é feito sem diversão e pausa para cuidar da saúde mental deles. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9% dos brasileiros sofrem de algum tipo de transtorno de ansiedade, e em uma pesquisa feita no final de 2020, o Ministério da Saúde detectou o mesmo resultado em 86,5% dos entrevistados.

A pesquisa ainda observou que 45,5% deles possuem transtorno de estresse pós-traumático e 16% sofrem de depressão grave. Uma terceira pesquisa feita pelo instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial, descobriu que 53% dos brasileiros afirmam que o seu bem-estar mental piorou um pouco ou muito no último ano.

 

Quando a produtividade implica com a saúde mental

Os números não mentem e a realidade pode ser ainda maior. E existem diversas pesquisas de diferentes meios que exibem o mesmo resultado. A pandemia fez com que um alarme de emergência soasse sobre a saúde mental dos trabalhadores e como eles foram um dos mais afetados pelo isolamento.

Além disso, profissionais passando por transtornos mentais estão doentes e eles não irão contribuir com o lucro da empresa dessa forma. Algumas gestões já observaram os sinais que estão recebendo e estão observando como essa situação se resolverá. 

Se você está passando por essa situação, as melhores empresas para você trabalhar são aquelas que possuem uma preocupação com o seu bem-estar e por isso, diminuem reuniões, possuem horários fixos de almoço e pausas, criam feriados institucionais, possuem dias de folga, encurtam as jornadas de trabalho e não compactuam com emendar as reuniões. 

Elas já entenderam que a flexibilidade é uma característica das novas formas de trabalho e menos cobrança pela produtividade, e que o maior indicador do sucesso é a confiança da sua equipe.

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